quarta-feira, 6 de outubro de 2010

A Recuperação Duradoura não pode ser a meta, mas a auto-realização. Um dia de cada vez

A Recuperação Duradoura não pode ser a meta, mas a auto-realização. Um dia de cada vez

Entrei em Recuperação através do Programa dos 12 Passos[i]com 22 anos. A partir desse momento a minha vida parecia começar.

Finalmente senti o que era fazer parte de algo, sentia amor pelo que me rodeava e recebia de volta o mesmo amor.Acompanhada, construí amizades, arranjei a minha primeira casa, construí uma carreira, iniciei uma relação e recebi a maior dádiva – o meu filho.

Fui construindo um “Castelo de Areia”, cada vez maior mas onde cabiam cada vez menos pessoas, princípios, amor mas quando dei por terminado o meu sonho, olhei à volta, estava sozinha! Escolhi construí-lo sozinha e prestes a fazer 30 anos recaí em álcool e passado um ano em drogas.

Já não era uma adolescente, tinha que manter responsabilidades a qualquer preço, uma imagem a qualquer custo e o custo que escolhi foi beber mais e usar mais drogas. Dia após dia o meu “Castelo partia-se em cacos”. A imagem que tenho de mim é sozinha, na cozinha, a beber e a usar drogas a noite inteira, cheia de medo que os meus filhos acordassem.

Após 5 anos, e já sem “Castelo”, as amizades que fiz em Narcóticos Anónimos[ii] deram-me a mão, salvaram a vida dos meus filhos.

Estou a “apanhar os meus cacos”, a dar um propósito à lição que ganhei sobre as minhas escolhas, só por hoje, sempre com a ajuda dos 12 Passos e do meu Deus (ou Deusa!) As reuniões de NA são hoje “solo sagrado.”

O meu desafio é ser melhor Mulher, melhor Mãe, melhor Companheira, melhor Amiga. Aprendi que o “Castelo” é a manifestação da minha doença, não me protege e não me faz sentir o Amor – afasta-me dele.

O meu desafio é ir devagar (para não tropeçar…mais!) e acima de tudo viver em Verdade comigo, em sintonia com a vida tal como é. Isso acredito que é possível com os 12 Passos de Narcóticos Anónimos!

Obrigada pela oportunidade!
Anónima

[i] 12 Passos – Programa de Recuperação utilizado pelos Alcoólicos Anónimos desde 1972 em Portugal e 1935 nos EUA. A seguir sucederam-se vários grupos de ajuda mútua que utilizam os 12 Passos (ex. Narcóticos Anónimos, Emocionais Anónimos, Famílias Anónimas, Nicotina Anónimos, Trabalhadores Compulsivos Anónimos, Adictos à Comida Anónimos, em Portugal).
[ii] Narcóticos Anónimos – Grupo de ajuda mútua onde indivíduos dependentes de substâncias adictivas (lícitas e/ou ilícitas) se unem de forma a manterem a abstinência e em Recuperação Duradoura, em Portugal desde 1985.
Comentário: Admiro a coragem desta Anónima, pela sua honestidade e inspiração, por retornar à abstinência e à Recuperação. Não é uma derrotada, falhou nas suas escolhas. Afinal, esse fenómeno não é só comum na Adicção, é Humano.
Um/a dependente em Recuperação é por si só um feito "gigante". Em termos sociais representa uma mais valia quer seja para o individuo, para a família, incluindo as crianças, o trabalho e a sociedade.
Como profissional, trabalho na área das Dependências (Comportamentos Adictivos) e admito o desafio que representa, para todos os profissionais como para o individuo dependente, o tratamento da Adicção activa, assim como, manter-se em Recuperação...Duradoura.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Como falar aos jovens sobre drogas

Nos dias de hoje, o adolescente recebe um bombardeio de informações através dos meios de comunicação, que o deixam inteirado de tudo o que se passa ao seu redor.
Ao se falar em droga, certamente vamos despertar sua curiosidade, que deve ser utilizada para a formação de conceitos sadios e exatos sobre as drogas e as desvantagens de seu uso.
Pais e professores, devem, através de orientação segura e sem nenhum alarme, criar a condição necessária para que o adolescente se torne refratário aos assédios de maus amigos e traficantes.
É na adolescência, ou pré-adolescência, que se deve dar maior destaque a um programa de caráter educativo preventivo.
Devemos observar que os traficantes, sabedores que nesta fase se consegue o viciado certo de amanhã, nos dias de hoje, estão levando para o mundo das drogas meninos e meninas de até 9 anos, portanto, o quanto antes iniciarmos nossa conscientização, não estaremos cometendo exagero algum.

Como saber se um jovem usa drogas

1 - Mudança brusca no comportamento;
2 - Irritabilidade sem motivo aparente e explosões nervosas;
3 - Inquietação motora. O jovem se apresenta impaciente, inquieto, irritado, agressivo e violento;
4 - Depressões, estado de angústia sem motivo aparente;
5 - Queda do aproveitamento escolar ou desistência dos estudos;
6 - Insônia rebelde;
7 - Isolamento. O jovem se recusa a sair de seu quarto, evitando contato com amigos e familiares;
8 - Mudança de hábitos. O jovem passa a dormir de dia e ficar acordado à noite. Existência de comprimidos, seringas, cigarros estranhos, entre seus pertences;
9 - Desaparecimento de objetos de valor, de dinheiro ou, ainda, incessantes pedidos de dinheiro. O jovem precisa, a cada dia mais, a fim de atender às exigências e exploração de traficantes, para aquisição de produtos que lhe determinaram a dependência;
10 - Más companhias. Os que iniciaram no vício passam a fazer parte da vida do jovem.

O que dizer quando seu filho pergunta: "Você já usou drogas?"

Nas conversas sobre drogas, uma das perguntas mais comuns que os filhos fazem aos pais é: "Você já usou?" A não ser que a resposta seja "não", é difícil saber o que dizer, porque quase todos os pais que já usaram drogas não querem que seus filhos usem. E isso não é hipocrisia. É querer o melhor para seus filhos, porque hoje esses pais compreendem os perigos das drogas, quando eram jovens não entendiam. O pai que esconde do filho que usou drogas na juventude pode ter sua confiança abalada se a criança descobrir. Por isso, quando for feita essa pergunta, a melhor saída é dizer a verdade. O que não significa relatar suas experiências em detalhes.
Assim como nas conversas sobre sexo, algumas coisas devem ser reservadas. Evite dar mais informações do que foi solicitado pela criança.
Faça perguntas esclarecedoras para ter certeza de que você entendeu exatamente o que seu filho está perguntando antes de responder. Limite sua resposta às informações pedidas.

A Droga pode ser fornecida por Pipoqueiros que ficam na porta das Escolas

As formas de traficar as drogas são tão variadas, quanto pode variar a imaginação humana. O tráfico e o transporte são variados, pois a droga pode ser levada em um simples bombom recheado, como no salto do sapato, no interior de livros com folhas escavadas, dentro de um pacote de bolachas ou, até, em tubos, que são introduzidos no ânus ou na vagina.
Próximo às escolas, os traficantes encontram um bom lugar para se colocarem, e isto é feito mais dissimuladamente possível. A comunicação é por gestos, gírias ou frases monossilábicas, perfeitamente entendidas entre traficante e viciado.
O jovem que quer iniciar-se na droga vai buscá-la com suas próprias pernas e a coloca em sua boca ou veias com suas próprias mãos, porque não está imunizado ou conscientizado pela família ou pela escola. Não é o fato de estar em um lugar e aspirar a fumaça de maconha que está no ar, que a pessoa vai viciar-se. É preciso que o jovem tenha a vontade de conhecer a droga, ou por curiosidade, ou por modismo, para fuga de problemas, imitação ou outro motivo.
Muita gente pergunta por que se vende maconha próximo das escolas. E a resposta mais lógica é que não faltam compradores, e o mecanismo policial, por mais aprimorado que seja, jamais conseguirá impedir todas as transações.
A solução do problema está na família e na educação preventiva.

Fatores relacionados ao sexo

A informação quanto a história natural, apresentação clínica, fisiologia e tratamento do transtorno decorrente do uso de drogas em mulheres é limitada. Embora seja estimado que as mulheres compreendem 34% de todas as pessoas com transtorno decorrente do uso de drogas nos Estados Unidos, as barreiras psicossociais e financeiras (como inexistência de locais para cuidar de crianças) impedem muitas mulheres dc procurar tratamento. Uma vez em tratamento, as mulheres, comparadas aos homens, apresentam prevalência mais elevada de transtornos depressivos e ansiosos, como condições comórbidas, muitas vezes necessitando de tratamento específico.

Idade

Crianças e adolescentes apresentam mais comumente transtorno de abuso que dependência e menos provavelmente necessitarão iniciar e permanecer em tratamento. A avaliação e o tratamento devem levar em consideração os níveis de desenvolvimento cognitivo. social e psicológico do paciente e o possível papel do transtorno decorrente do uso de drogas em impedir os estágios adequados de desenvolvimento, incluindo autonomia, habilidade de estabelecer relações interpessoais e integração geral na sociedade. A avaliação deve enfatizar particularmente as áreas de funcionamento adaptativo do adolescente, como progresso acadêmico, comportamento e comparecimento escolar e funcionamento social com companheiros e familiares.
Alguns adolescentes com transtornos decorrentes do uso de drogas também apresentam condições psiquiátricas comórbidas, como distúrbios de conduta, transtorno da hiperatividade com déficit de atenção, transtornos ansiosos (incluindo fobia social e distúrbio de estresse pós-traumático), transtornos afetivos, dificuldades de aprendizado e distúrbios alimentares. Além disso, as crianças convivem em ambientes familiares nos quais outros membros da família abusam ou são dependentes de álcool e de outras substâncias, e também apresentam risco elevado de abuso sexual e físico e podem apresentar como conseqüências sequelas psicológicas e comportamentais (incluindo o abuso de drogas).
Em geral a faixa de modalidades terapêuticas usadas com adultos pode ser usada também em adolescentes. Essas modalidades incluem abordagens comportamentais cognitivas, psicodinâmicas/interpessoais (individuais, em grupo e familiares), grupos de auto-ajuda e medicamentos.

O idoso

Os transtornos decorrentes do uso de drogas em populações de idade avançada constituem um problema de freqüência subestimada e subtratado. O abuso e a dependência de medicações prescritas, particularmente benzodiazepínicos, sedativos hipnóticos e opióides, podem contribuir para confusão e sedação exageradas em pacientes idosos, adesão precária aos regimes terapêuticos prescritos e superdosagem involuntária, particularrnente quando essas drogas são combinadas com álcool.

Meio social e ambiente de vida

O meio social global do paciente exerce impacto importante tanto sobre o desenvolvimento como sobre a recuperação da dependência de drogas. O meio social modela atitudes com relação ao contexto apropriado para o uso de drogas (como as diferenças verificadas entre o hábito de beber socialmente quando em reuniões familiares e o recreacional até atingir intoxicação). Modelos entre a família ou companheiros influenciam o contexto social e psicológico para o uso de drogas e a escolha da droga e o grau de controle exercido sobre os comportamentos dos usuários de drogas.
Uma vez que esteja desenvolvido o padrão de dependência ou abuso, a motivação e a habilidade em aceitar o tratamento são influenciadas pelo grau de suporte no grupo de companheiros e meio social para permanecer abstinente.

Fatores culturais

Há pesquisas que sugerem pior prognóstico para as minorias éticas e raciais em programas de tratamento convencional, conquanto isso possa ser decorrente das diferenças das classes sociais. Embora existam poucas pesquisas sobre a eficácia em programas culturalmente específicos, os serviços de tratamento que sao sensíveis à cultura e abordam as preocupações especiais de grupos de minoria étnica podem melhorar a aceitação do tratamento, a adesão e, finalmente, o prognóstico terapêutico.

Características familiares

Os transtornos decorrentes do uso de drogas penalizam enorinemente os membros da família, contribuindo para isso altos níveis de conflito interpessoal, violência doméstica, inadequação parental, abuso e negligência infantil, separação e divórcio, dificuldades financeiras e legais e problemas clínicos relacionados ao uso de drogas (como AIDS, tuberculose). Além disso, as crianças criadas em famílias nas quais outros membros abusam ou são dependentes de álcool e outras substâncias também apresentam risco elevado para abuso físico e sexual.
As famílias que contam com um ou mais membros com transtorno decorrente do uso de drogas freqüentemente demonstram um padrão de múltiplas gerações de transmissão de abuso de substâncias e outros transtornos psiquiátricos freqüentemente associados (como transtorno de personalidade anti-social, vício de jogo). Além disso, o comportamento patológico "facilita" a existência de problemas psiquiátricos e clínicos cm pais e irmãos, e os níveis elevados de estresse social e/ou transcultural também exercem um papel no desenvolvimento e perpetuação do transtorno decorrente do uso de drogas.
( Fonte - NeuroPsicoNews - Sociedade Brasileira de Informações de Patologias Médicas 1999 - nº 13)

O cerco dos amigos

No meio escolar nasce, geralmente, o círculo de amigos. E sabemos a que o ponto a experiência da amizade é importante nessa idade. Um adolescente não vive sem seus amigos. Às vezes ele só vive por eles. Um grupo de amigos se forma então, cuja regra suprema é a fusão e solidariedade. Sua palavra de ordem é verdadeiramente o clássico (e que parece um pouco ridículo) um por todos e todos por um.
Usando uma imagem surpreendente, poder-se-ia dizer que os amigos se tornam convivas que compartilham a mesma refeição: aquela em que o único alimento consiste na droga que se compartilha com a mesma volúpia...mesmo que, no fundo, se esteja convencido de que não deveria fazer isso. Por fraqueza, por medo do desprezo dos outros, por solidariedade incondicional, junta-se ao grupo para ultrapassar as portas das drogas, mesmo que a viagem, com os amigos, seja sem retorno. A lei da amizade prevalece e se torna importante fator de adesão à droga. Começa, então, a repetição dos acontecimentos e dos lugares: as festas de fim de semana são corrompidas pelo cheiro da maconha, à qual se junta frequentemente o álcool para que os efeitos sejam mais penetrantes e mais violentos.

É claro que esta descrição não serve para todos adolescentes. Muitos são os círculos de amizade sãos e salutares. Mas, para grande número de adolescentes prisioneiros da droga, o caminho que os conduziu a essa prisão foi o da amizade. Em matéria de droga, como em tantas outras coisas, é verdadeiro o ditado: "Dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és".
(Fonte - Drogas - Prevenção, Escola - Paul Eugêne Charbonneau)

Prevenção

Muito se tem feito nos últimos tempos para que as pessoas se previnam contra o uso de drogas. Mas também muito se tem feito, legal ou ilegalmente, para que elas sejam usadas. O resultado final é que as pessoas estão consumindo cada vez mais drogas.
Usar drogas, significa em primeira instância, buscar prazer. É muito difícil lutar contra o prazer, porque foi ele que sempre norteou o comportamento dos seres vivos para se autopreservarem e perpetuarem sua espécie. A droga provoca o prazer que engana o organismo, que então passa a querê-lo mais, como se fosse bom. Mas o prazer provocado pela droga não é bom, porque ele mais destrói a vida do que ajuda na sobrevivência. A prevenção tem de mostrar a diferença que há entre o que é gostoso e o que é bom.
Todo usuário e principalmente sua família têm arcado com as consequências decorrentes desse tipo de busca de prazer.
Pela disposição de querer ajudar outras pessoas, parte da sociedade procura caminhos para previnir o maior mal evitável deste final de milênio.

Caminhos disponíveis

1. Do medo - Os jovens não se aproximarão das drogas se as temerem. Para se criar o medo, basta mostrar somente o lado negativo das drogas. Pode funcionar para crianças enquanto elas acreditarem no adultos.

2. Das informações científicas - Quanto mais alguém souber sobre as drogas, mais condições terá para decidir usá-las ou não. Uma informação pode ser trocada por outra mais convincente e que atenda aos interesses imediatos da pessoa.

3. Da legalidade - Não se deve usar drogas porque elas são ilegais. Mas e as drogas legais? E todas as substâncias adquiridas livremente que podem ser transformadas em drogas?

4. Do princípio moral - A droga fere os princípios éticos e morais. Esses valores entram em crise exatamente na juventude.

5. Do maior controle da vida dos jovens - Mais vigiados pelos pais e professores, os jovens teriam maiores dificuldades em se aproximar das drogas. Só que isso não é totalmente verdadeiro. Não adianta proteger quem não se defende.

6. Do afeto - Quem recebe muito amor não sente necessidade de drogas. Fica aleijado afetivamente que só recebe amor e não o retribui. Droga é usufruir prazer sem ter de devolver nada.

7. Da auto-estima - Quem tem boa auto-estima não engole qualquer "porcaria". Ocorre que algumas drogas não são consideradas "porcarias", mas "aditivos" para curtir melhor a vida.

8. Do esporte - Quem faz esporte não usa drogas. Não é isso o que a sociedade tem presenciado. Reis do esporte perdem sua majestade devido às drogas.

9. Da união dos vários caminhos - É um caminho composto de vários outros, cada qual com sua própria indicação. Cada jovem escolhe o mais adequado para si. Por enquanto, é o que tem dado os resultados mais satisfatórios.

10. Da Integração relacional - Contribuição para enriquecer o caminho 9. Nesse trajeto, o jovem é uma pessoa integrada consigo mesmo (corpo e psique), com as pessoas com as quais se relaciona (integração social) e com o ecossistema (ambiente), valorizando a disciplina, a gratidão, a religiosidade, a ética e a cidadania.
(Fonte: Anjos Caídos, Içami Tiba. Editora Gente, 6ª edição)

Os efeitos do Crack no Cérebro

Liberdade é o que um rapaz que parou de fumar crack há dois anos carrega no peito.

“Todo o vazio que eu tinha dentro de mim vieram das grandes perdas - familiar, profissional – por conta do uso de drogas. Eu conheci o crack e, nos seis meses que eu fiz uso, a degradação da minha vida foi explícita”, conta o jovem.

Foi tempo suficiente para largar a família e perder tudo o que tinha.

“Troquei meu último automóvel em crack, deixei na boca-de-fumo. Foram essas perdas que me fizeram abrir os olhos e perceber que, ao mesmo tempo que aquela droga me dava asa, ela estava tirando meu cérebro. Assim que percebi que tinha perdido meu cérebro, caí de cara no chão”, relata o ex-usuário.

O psiquiatra Leonardo Moreira, especialista em dependência química, estuda a potência do crack. A droga modifica células no cérebro já primeira vez de uso.

“O crack, quando fumado por uma pessoa, chega tão rápido ao cérebro quanto se a pessoa tivesse injetado Ele chega a áreas fundamentais para causar dependência, em locais do cérebro onde está o núcleo do prazer, que a gente chama de Área Tegmentar Vental”, explica Moreira.

Ao fumar crack, a droga dispara substâncias para o cérebro. Os neurônios criam novos receptores, responsáveis pela transmissão de informações para as células nervosas. Com receptores alterados, o cérebro espera receber mais dopamina, combustível do neurônio que dá energia e disposição.

“Quando não recebem, começam a sensação de fissura. Começa então a liberação de outras substâncias. É um mecanismo complexo, que faz com que a pessoa tenha uma fissura muito grande pela droga. E essa fissura não começa dias depois que a pessoa para de fumar crack, começa segundos depois que acabou a última baforada”, acrescenta o especialista.

Há dois anos, menos de 0,5% dos atendimentos nos Centro de Atenção Psicossocial (Caps) era por conta do crack. Hoje, passam de 30%. O Ministério da Saúde recomenda um centro para cada 100 mil habitantes. Ceilândia tem 600 mil moradores e apenas um Caps com muros no chão, vidros quebrados e portas trancadas.

“Não funciona. O que está funcionando aí é um ponto para as pessoas se drogarem. É um perigo para a gente”, fala o aposentado Francisco das Chagas.

“A situação é dramática. Só há serviço público nos dois CAPS Álcool e Drogas em Brasília. Um funciona no Guará e outro em Sobradinho II. Imagina alguém sair de Planaltina e ter que ir para o Guará ou Sobradinho em busca de tratamento”, afirma o coordenador do Fórum de Dependência Química do DF, Carlos Batista.

Quem tenta romper o vício sabe que é difícil. “A distância entre mim e a droga é só a distância do meu braço. O crack está na porta da minha casa, em toda a esquina tem essa droga”, fala um rapaz.

Se uma pessoa quiser buscar ajuda para se recuperar, onde há atendimentos e internações de graça no DF? Quem respondeu essa e outras perguntas foi o gerente de Saúde Mental da Secretaria de Saúde, Ricardo Lins. Acesse o vídeo e assista à entrevista.

Repórter: Marina Costa
Repórter cinematográfico: Rafael Sobrinho
Editor de texto: Marlon Herath
Editor de imagens: Fred Oliveira

Traficantes adicionam crack à maconha para viciar mais gente

Caio de Menezes, Jornal do Brasil

RIO - Preocupados com a imagem negativa do crack, difundida pelo estado deplorável a que chegam seus consumidores, muitos traficantes adotaram uma nova estratégia para atrair novos usuários. Em algumas favelas fluminenses, onde a venda da droga já responde a mais de 30% do faturamento, fragmentos das pedras de crack são misturados às porções de maconha sem que o consumidor saiba que está adquirindo o composto conhecido como zirrê (também chamado de desireé, craconha ou criptonita).

– Quando conversamos com os “cracudos”, durante uma operação, ouvimos da maioria que o vício em crack chegou através do zirrê. Quem vê o viciado em crack, dificilmente procura a droga. Por isso, o tráfico adotou essa estratégia, que teve início em favelas da Baixada, mas já chegou à capital – afirma um agente da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod), que cita as favelas do Lixão, Mangueirinha, e Vila Ideal, em Caxias, e Manguinhos e Jacarezinho, em Bonsucesso (Zona Norte) como as que já vendem o perigoso composto.

De acordo com o psiquiatra Jorge Jaber, do serviço de tratamento gratuito a dependentes químicos oferecido pela Câmara Comunitária da Barra da Tijuca, a venda inadvertida do zirrê é uma ameaça, “principalmente ao jovem de classe média”.

– Ele usa basicamente álcool, maconha e cocaína, cujo vício progride mais lentamente, quando comparado ao do crack. Esse é o perigo do zirrê. Se usado com frequência, pode viciar em uma semana – alerta.

O também psiquiatra Jairo Werner, do Núcleo de Estudo de Alcoolismo e Outras Dependências, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense (UFF), lembra que o zirrê foi “o responsável por difundir o crack no Rio de Janeiro”.

– O sujeito fumava maconha, estava acostumado àquele barato e de saco cheio. Alguém deu a idéia de adicionar o crack ao baseado, o que turbinaria o efeito. Dessa forma o crack foi inserido no Rio – analisa.

O conselheiro em dependência química, Cláudio Barata Ribeiro, que auxilia dependentes a abandonarem as drogas, concorda que o zirrê é uma das principais portas de entrada para o crack.

– O que mais assusta é que pessoas cada vez mais novas usam o zirrê. Pensam estar usando apenas maconha e, com pouco tempo, estão viciadas em crack, que tem uma taxa mínima de recuperação – frisa.

"Em cinco dias, gastei todo meu salário"

Ainda em Mato Grosso, onde nasci, fui apresentado às drogas, com 16 anos, quando fiz uso de tabaco misturado à pasta base de cocaína, facilmente encontrada devido à proximidade com a Bolívia.

Depois que me mudei para o Rio de Janeiro, há pouco mais de três anos, busquei um similar à pasta base para manter meu vício. Foi quando fui apresentado ao zirrê, droga usada pela maioria dos traficantes, em uma comunidade próxima à minha casa, na Tijuca.

A dependência do crack assumiu o lugar da pasta base e, menos de um mês depois de experimentar a droga, gastei, em cinco dias sem sair da Favela Parque Arará (em Benfica, Zona Norte), todo o meu salário.

Há cerca de um ano, quando conheci minha atual mulher, tentei, pela primeira vez, parar. Consegui ficar sem usar por um mês, até a primeira recaída. Hoje já são quase 30. O crack é uma droga complicada. Saber que estão misturando à maconha e vendendo é triste.

*I.P.C., 32 anos, dois filhos. Não têm celular para não trocar por crack. Seu salário é controlado pela esposa e sua a última recaída aconteceu na quarta-feira passada.

Dependência

Dependência Física

Consiste na necessidade sempre presente, a nível fisiológico, o que torna impossível a suspensão brusca das drogas. Essa suspensão acarretaria a chamada crise da "abstinência". A dependência física é o resultado da adaptação do organismo,independente da vontade do indivíduo. A dependência física e a tolerância podem manifestarem-se isoladamente ou associadas, somando-se à dependência psicológica. A suspensão da droga provoca múltiplas alterações somáticas, causando a dramática situação do "delirium tremens".
Isto significa que o corpo não suporta a síndrome da abstinência entrando em estado de pânico. Sob os efeitos físicos da droga, o organismo não tem um bom desenvolvimento.

Dependência Psicológica

Em estado de dependência psicológica, o indivíduo sente um impulso irrefreável, tem que fazer uso das drogas a fim de evitar o mal-estar. A dependência psicológica indica a existência de alterações psíquicas que favorece a aquisição do hábito. O hábito é um dos aspectos importantes a ser considerado na toxicomania, pois a dependência psíquica e a tolerância significam que a dose deverá ser ainda aumentada para se obter os efeitos desejados. A tolerância é o fenômeno responsável pela necessidade sempre presente que o viciado sente em aumentar o uso da droga.
Em estado de dependência psíquica, o desejo de tomar outra dose ou de se aplicar, transforma-se em necessidade, que se não satisfeita leva o indivíduo a um profundo estado de angústia, (estado depressivo). Esse fenômeno não deverá ser atribuído apenas as drogas que causam dependência psicológica. O estado de angústia, por falta ou privação da droga é comum em quase todos os dependentes e viciados.

Requisitos Básicos da Dependência

1 - forte desejo ou compulsão para consumir a substância;
2 - dificuldade no controle de consumir a substância em termos do seu início, término ou níveis de consumo;
3 - estado de abstinência fisiológica quando o uso cessou ou foi reduzido (sintomas de abstinência ou uso da substância para aliviá-los);
4 - evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes da substância psicoativa são requeridas para alcançar efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas;
5 - abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor do uso da substância psicoativa, aumento do tempo necessário para obter ou tomar a substância psicoativa ou para se recuperar dos seus efeitos;
6 - persistência no uso da substância, a despeito de evidência clara de consequências manifestamente nocivas, tais como dano ao fígado por excesso de álcool, depressão consequênte a período de consumo excessivo da substância ou comprometimento cognitivo relacionado à droga.

Uso de Droga em Adolescentes
Idade de início / Substância / Tempo para uso problemático
11 anos / álcool / 2,5 anos
12 anos / maconha / 1 ano
13 anos / cocaína / 6 meses
14 anos / crack / 1 mês


Perfil dos Usuários

81% são de classe média
46,8% cursam o nível superior
50% mencionam apenas os efeitos positivos da droga
84% já tiveram episódios depressivos após o uso
65,6% acreditam que o ecstasy é seguro
15,6% já tiveram problemas financeiros pelo uso do ecstasy
100% usam a droga em grupo
100% são usuários de outras drogas como maconha, cocaína e LSD

Dados Epidemiológicos

20% da população usam substâncias psicoativas no decorrer da vida;
15% no mínimo são portadores da doença da dependência química;
10% a 12% desses usam mais de uma droga concomitante;
A incidência de DQ é de 2 a 6 vezes maior no homem;
DQ evolui do álcool para drogas mais pesadas;
150 mil óbitos/ano por alcoolismo nos USA;
15% dos DQ cometem suicídio (20 vezes maior que na população).

Transtornos Psiquiátricos em Pacientes Dependentes de Álcool

- 218 pacientes alcoolistas x 218 pacientes não alcoolistas - Serviço Ambulatorial Universitário do estado de São Paulo;
- Prevalência em toda vida (LTP) de transtornos psiquiátricos: 70% população alcoolista x 26% população não alcoolista;
- Depressão maior em 50%;
- Personalidade anti-social em 30%;
- Fobias em 20%;
- Abuso/dependência de outras drogas em 19%.

Transtornos de Personalidade na dependência da Cocaína

- prevalência ao longo da vida de transtornos psiquáticos foi de 69%;
- 29% com transtornos afetivos e ansiosos
- 40% com transtornos de personalidade
- 31% sem transtornos

Saiba como Agir nas Emergências

Aprenda a conhecer os sintomas de overdose (intoxicação aguda) e saiba o que fazer quando uma pessoa exagerou no uso de drogas e pode estar precisando da sua ajuda:

Conheça os sintomas:
- Perda da consciência, coma ou sono repentino e/ou profundo
- Respiração lenta ou curta ou parada da respiração
- Sem pulso ou pulso fraco
- Lábios roxos
- Convulsões, movimentos involuntários, desmaios
- Palpitação, taquicardia, dor no peito

Saiba o que fazer:
- Chame o resgate ou ajuda médica para emergências, imediatamente.
- Nunca deixe a pessoa sozinha.
- Deite a pessoa de lado, tenha certeza de não haver comida ou vômito na garganta.
- Afaste o queixo do peito.
- Nunca dê outra droga para combater o efeito.
- Nunca ponha nada na boca da pessoa, incluindo água ou medicamentos.
- Se a pessoa estiver tendo uma convulsão segure a sua cabeça com cuidado para não bater no chão ou em algum móvel

Atenção: A mistura de qualquer droga com álcool ou outras drogas aumenta o risco de overdose, ferimentos, violência, abuso sexual e morte.

Vício sem Fim

Por que é possível se tornar dependente de jogos, chocolate, compras
e até mesmo sexo - Clique e confira


Loucos por Pílulas

Remédios para emagrecer, dormir ou combater a impotência geram uma mania pelo consumo exagerado de medicamentos, cada vez mais frequente nos países desenvolvidos
Clique e confira

Se se filho está usando Drogas

Procure informação e, se possível ajuda especializada mesmo, antes de conversar com o seu filho. Ele sempre terá um argumento para justificar o uso, além de minimizar o problema
Não permita que seu filho fume maconha dentro de casa, a fim de manter o controle. Essa atitude, além de proibida por lei, não diminui os riscos
Se o seu filho está arredio e não quer te escutar, procure alguém que ele respeite, como um parente ou amigo da família
Leve - o para um psicólogo ou psiquiatra especializado. Além de mostrar que ele está prejudicando a própria vida, a terapia pode ajudar nas questões que o levaram a buscar a droga. È importante que o profissional tenha experiência na área
Participe de grupos de ajuda mútua dirigidos para pais de dependentes, ainda que seu filho não esteja em tratamento. Mudando seu comportamento, é possível que seu filho decida se tratar
Coloque limites em casa, como delegar tarefas, controlar o dinheiro e impor horários. Enquanto o jovem tem tudo o que precisa, dificilmente sente - se estimulado a largar as drogas
Seja firme e nunca volte atrás. Negar ajuda pode ser melhor ajuda
Lembre - se que, pagando dívidas que seu filho fez com traficantes, você pode estar dando início a um ciclo vicioso. Não deixe de procurar ajuda quando a situação envolver traficantes
Fonte: Antônio Rabello Filho, do Instituto Souza Novaes, coordenadores do grupo Amor Exigente, psicóloga Lygia Humberg, da USP, psicóloga Neliana Figlie,da Unifesp, livro "Anjos Caídos", do psiquiatra Içami Tiba, psiquiatra José Antonio Ribeiro e psicólogo Marcos Govoni

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Quem ? O quê ? Como e porquê ? - Esse texto me tirou muitas dúvidas sobre Narcóticos Anônimos, depois de ler algumas vezes, começei entender melhor !!

Quem, o que, como e porque
Reimpresso do Livreto Branco, Narcotics Anonymous

Copyright © 1993 by
Narcotics Anonymous World Services, Inc.
Todos os direitos reservados.
Tradução de literatura aprovada pela
Irmandade de NA.




Quem, o que, como e porque
Reimpresso do Livreto Branco, Narcotics Anonymous

Quem é um adicto?

A maioria de nós não precisa pensar duas vezes sobre esta pergunta. NÓS SABEMOS! Toda a nossa vida e nossos pensamentos estavam centrados em drogas, de uma forma ou de outra — obtendo, usando e encontrando maneiras e meios de conseguir mais. Vivíamos para usar e usávamos para viver. Um adicto é simplesmente um homem ou uma mulher cuja vida é controlada pelas drogas. Estamos nas garras de uma doença progressiva, que termina sempre da mesma maneira: prisões, instituições e morte.

O que é o Programa de Narcóticos Anônimos?

NA é uma Irmandade ou sociedade sem fins lucrativos, de homens e mulheres para quem as drogas se tornaram um problema maior. Somos adictos em recuperação, que nos reunimos regularmente para ajudarmos uns aos outros a nos mantermos limpos. Este é um programa de total abstinência de todas as drogas. Há somente um requisito para ser membro, o desejo de parar de usar. Sugerimos que você mantenha a mente aberta e dê a si mesmo uma oportunidade. Nosso programa é um conjunto de princípios escritos de uma maneira tão simples que podemos segui-los nas nossas vidas diárias. O mais importante é que eles funcionam.

NA não tem subterfúgios. Não somos filiados a nenhuma outra organização, não temos matrícula nem taxas, não há compromissos escritos, nem promessas a fazer a ninguém. Não estamos ligados a nenhum grupo político, religioso ou policial e, em nenhum momento, estamos sob vigilância. Qualquer pessoa pode juntar-se a nós, independente da idade, raça, identidade sexual, crença, religião ou falta de religião.

Não estamos interessados no que ou quanto você usou, quais eram os seus contatos, no que fez no passado, no quanto você tem ou deixa de ter; só nos interessa o que você quer fazer a respeito do seu problema e como podemos ajudar. O recém--chegado é a pessoa mais importante em qualquer reunião, porque só dando podemos manter o que temos. Aprendemos com nossa experiência coletiva que aqueles que continuam vindo regularmente às nossas reuniões mantêm-se limpos.

Por que estamos aqui?

Antes de chegarmos à Irmandade de NA, não podíamos controlar nossas próprias vidas. Não podíamos viver e apreciar a vida como as outras pessoas. Tínhamos que ter algo diferente e pensamos que havíamos encontrado isso nas drogas. Colocamos o uso de drogas acima do bem-estar de nossas famílias, esposas, maridos e filhos. Tínhamos que ter drogas a qualquer custo. Prejudicamos muitas pessoas, mas, principalmente, prejudicamos a nós mesmos. Através da nossa inabilidade de aceitar responsabilidades pessoais, estávamos realmente criando nossos próprios problemas. Parecíamos incapazes de encarar a vida como ela é.

A maioria de nós percebeu que, em nossa adicção, estávamos lentamente cometendo suicídio; mas a adicção é um inimigo tão traiçoeiro da vida, que tínhamos perdido o poder de fazer qualquer coisa. Muitos de nós acabaram na prisão, ou procuraram ajuda através da medicina, religião ou psiquiatria. Nenhum destes métodos foi suficiente para nós. Nossa doença sempre ressurgia ou continuava progredindo até que, em desespero, buscamos ajuda entre nós em Narcóticos Anônimos.

Depois de chegarmos a NA, descobrimos que éramos doentes. Sofríamos de uma doença da qual não se conhece a cura. Mas que pode ser detida em algum ponto, e a recuperação então é possível.

Como funciona?

Se você quer o que nós temos a oferecer e está disposto a fazer um esforço para obtê-lo, então está preparado para dar certos passos. Estes são os princípios que possibilitaram nossa recuperação.

1. Admitimos que éramos impotentes perante a nossa adicção, que nossas vidas tinham se tornado incontroláveis.

2. Viemos a acreditar que um Poder maior do que nós poderia devolver-nos à sanidade.

3. Decidimos entregar nossa vontade e nossas vidas aos cuidados de Deus, da maneira como nós O compreendíamos.

4. Fizemos um profundo e destemido inventário moral de nós mesmos.

5. Admitimos a Deus, a nós mesmos e a outro ser humano a natureza exata das nossas falhas.

6. Prontificamo-nos inteiramente a deixar que Deus removesse todos esses defeitos de caráter.

7. Humildemente pedimos a Ele que removesse nossos defeitos.

8. Fizemos uma lista de todas as pessoas que tínhamos prejudicado, e dispusemo-
-nos a fazer reparações a todas elas.

9. Fizemos reparações diretas a tais pessoas, sempre que possível, exceto quando fazê-lo pudesse prejudicá-las ou a outras.

10. Continuamos fazendo o inventário pessoal e, quando estávamos errados, nós o admitíamos prontamente.

11. Procuramos, através de prece e meditação, melhorar o nosso contato consciente com Deus, da maneira como nós O compreendíamos, rogando apenas o conhecimento da Sua vontade em relação a nós, e o poder de realizar essa vontade.

12. Tendo experimentado um despertar espiritual, como resultado destes passos, procuramos levar esta mensagem a outros adictos e praticar estes princípios em todas as nossas atividades.

Isto parece ser uma grande tarefa e não podemos fazer tudo de uma só vez. Não nos tornamos adictos num dia, lembre-se — vá com calma.

Mais do que qualquer outra coisa, uma atitude de indiferença ou intolerância com os princípios espirituais irá derrotar nossa recuperação. Três destes princípios são indispensáveis: honestidade, mente aberta e boa vontade. Com estes princípios estamos bem no caminho da recuperação.

Sentimos que abordamos a doença da adicção de maneira completamente realista, já que o valor terapêutico da ajuda de um adicto a outro não tem paralelo. Sentimos que o nosso método é prático, porque um adicto pode melhor compreender e ajudar outro adicto. Acreditamos que, quanto mais rapidamente encaramos nossos problemas na sociedade, no dia-a-dia, mais rapidamente nos tornamos membros aceitáveis, responsáveis e produtivos dessa sociedade.

A única maneira de não voltar à adicção ativa é não tomar aquela primeira droga. Se você é como nós, então sabe que uma é demais e mil não bastam. Colocamos grande ênfase nisto, pois sabemos que, quando usamos qualquer droga, ou substituímos uma por outra, liberamos nossa adicção novamente.

Pensar que o álcool é diferente das outras drogas fez muitos adictos recaírem. Antes de chegar a NA, muitos de nós encaravam o álcool separadamente. Não podemos nos enganar. O álcool é uma droga. Sofremos de uma doença chamada adicção e temos que nos abster de todas as drogas para podermos nos recuperar.

As Doze Tradições de Narcóticos Anônimos

Só conservamos o que temos com vigilância. Assim como a liberdade do indivíduo vem dos Doze Passos, a liberdade coletiva tem origem nas nossas Tradições.

Tudo estará bem enquanto os laços que nos unem forem mais fortes do que aqueles que nos afastariam.

1.

O nosso bem-estar comum deve vir em primeiro lugar; a recuperação individual depende da unidade de NA.
2.

Para o nosso propósito comum existe apenas uma única autoridade — um Deus amoroso que pode se expressar na nossa consciência coletiva. Nossos líderes são apenas servidores de confiança; eles não governam.
3.

O único requisito para ser membro é o desejo de parar de usar.
4.

Cada grupo deve ser autônomo, exceto em assuntos que afetem outros grupos ou NA como um todo.
5.

Cada grupo tem apenas um único propósito primordial — levar a mensagem ao adicto que ainda sofre.
6.

Um grupo de NA nunca deverá endossar, financiar ou emprestar o nome de NA a nenhuma sociedade relacionada ou empreendimento alheio, para evitar que problemas de dinheiro, propriedade ou prestígio nos desviem do nosso propósito primordial.
7.

Todo grupo de NA deverá ser totalmente auto-sustentado, recusando contribuições de fora.
8.

Narcóticos Anônimos deverá manter-se sempre não profissional, mas nossos centros de serviço podem contratar trabalhadores especializados.
9.

NA nunca deverá organizar-se como tal; mas podemos criar quadros de serviço ou comitês diretamente responsáveis perante aqueles a quem servem.
10.

Narcóticos Anônimos não tem opinião sobre questões alheias; portanto o nome de NA nunca deverá aparecer em controvérsias públicas.
11.

Nossa política de relações públicas baseia-se na atração, não em promoção; na imprensa, rádio e filmes precisamos sempre manter o anonimato pessoal.
12.

O anonimato é o alicerce espiritual de todas as nossas Tradições, lembrando-nos sempre de colocar princípios acima de personalidades.

Os Doze Passos e as Doze Tradições
reimpressos e adaptados com autorização de
AA World Services, Inc.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Link para achar salas de Narcóticos Anônimos no Brasil.

Esse é "O LUGAR" que salva vidas, que ensina uma nova maneira de viver. Milhões de pessoas no mundo inteiro frequentam e milhares conseguiram aprender a viver em recuperação.

Se você quer buscar ajuda ache seu lugar, continue frequentando as reuniões. Funciona !!!

http://www.na.org.br/cadastros/busca.php

Conheça mais sobre Narcóticos Anônimos em :

http://www.na.org.br/portal/index.php

Sou um adicto ?? O Que é isto ???

Sou um adicto?


Traducción de literatura aprobada
por la Confraternidad de NA.
Copyright © 1991 by
Narcotics Anonymous World Services, Inc.
Reservados todos los derechos



Sou um adicto?

Só você pode responder a esta pergunta.

Isto pode não ser fácil. Durante todo o tempo em que usamos drogas, quantas vezes dissemos “eu consigo controlar”. Mesmo que isto fosse verdade no princípio, não é mais agora. As drogas nos controlavam. Vivíamos para usar e usávamos para viver. Um adicto é simplesmente uma pessoa cuja vida é controlada pelas drogas.

Talvez você admita que tenha problema com drogas, mas não se considere um adicto. Todos nós temos idéias preconcebidas sobre o que é um adicto. Não há nada de vergonhoso em ser um adicto, desde que você comece a agir positivamente. Se você pode se identificar com nossos problemas talvez possa se identificar com a nossa solução. As perguntas que se seguem foram escritas por adictos em recuperação em Narcóticos Anônimos. Se você tem alguma dúvida quanto a ser ou não um adicto, dedique alguns momentos à leitura das perguntas abaixo e responda-as o mais honestamente possível.

1.

Alguma vez você já usou drogas sozinho? [ Sim ] [ Não ]
2.

Alguma vez você substituiu uma droga por outra, pensando que uma em particular era o problema? [ Sim ] [ Não ]
3.

Alguma vez você manipulou ou mentiu ao médico para obter drogas que necessitam de receita? [ Sim ] [ Não ]
4.

Você já roubou drogas ou roubou para conseguir drogas? [ Sim ] [ Não ]
5.

Você usa regularmente uma droga quando acorda ou quando vai dormir? [ Sim ] [ Não ]
6.

Você já usou uma droga para rebater os efeitos de outra? [ Sim ] [ Não ]
7.

Você evita pessoas ou lugares que não aprovam o seu consumo de drogas? [ Sim ] [ Não ]
8.

Você já usou uma droga sem saber o que era ou quais eram seus efeitos? [ Sim ] [ Não ]
9.

Alguma vez o seu desempenho no trabalho ou na escola foi prejudicado pelo seu consumo de drogas? [ Sim ] [ Não ]
10.

Alguma vez você foi preso em conseqüência do seu uso de drogas? [ Sim ] [ Não ]
11.

Alguma vez mentiu sobre o quê ou quanto você usava? [ Sim ] [ Não ]
12.

Você coloca a compra de drogas à frente das suas responsabilidades? [ Sim ] [ Não ]
13.

Você já tentou parar ou controlar seu uso de drogas? [ Sim ] [ Não ]
14.

Você já esteve na prisão, hospital ou centro de reabilitação devido a seu uso? [ Sim ] [ Não ]
15.

O uso de drogas interfere em seu sono ou alimentação? [ Sim ] [ Não ]
16.

A idéia de ficar sem drogas o assusta? [ Sim ] [ Não ]
17.

Você acha impossível viver sem drogas? [ Sim ] [ Não ]
18.

Em algum momento você questionou sua sanidade? [ Sim ] [ Não ]
19.

O consumo de drogas está tornando sua vida infeliz em casa? [ Sim ] [ Não ]
20.

Você já pensou que não conseguiria se adequar ou se divertir sem drogas? [ Sim ] [ Não ]
21.

Você já se sentiu na defensiva, culpado ou envergonhado por seu uso de drogas? [ Sim ] [ Não ]
22.

Você pensa muito em drogas? [ Sim ] [ Não ]
23.

Você já teve medos irracionais ou indefiníveis? [ Sim ] [ Não ]
24.

O uso de drogas afetou seus relacionamentos sexuais? [ Sim ] [ Não ]
25.

Você já tomou drogas que não eram de sua preferência? [ Sim ] [ Não ]
26.

Alguma vez você usou drogas devido a dor emocional ou “stress”? [ Sim ] [ Não ]
27.

Você já teve uma “overdose”? [ Sim ] [ Não ]
28.

Você continua usando, apesar das conseqüências negativas? [ Sim ] [ Não ]
29.

Você pensa que talvez possa ter problema com drogas? [ Sim ] [ Não ]

Sou um adicto? Esta é uma pergunta que só você pode responder. Descobrimos que todos nós respondemos “sim” a um número diferente de perguntas. O número de respostas positivas não é tão importante quanto aquilo que sentíamos e a maneira como a adicção tinha afetado nossas vidas.

Algumas destas perguntas nem ao menos mencionam drogas. A adicção é uma doença traiçoeira que afeta todas as áreas de nossas vidas, mesmo aquelas que a princípio não parecem ter muito a ver com drogas. As diferentes drogas que usávamos não eram tão importantes quanto os motivos pelos quais usávamos ou o que elas faziam conosco.

Quando lemos estas perguntas pela primeira vez, assustou-nos pensar que poderíamos ser adictos. Alguns de nós tentaram livrar-se desses pensamentos dizendo:

“Ora, essas perguntas não fazem sentido.”

Ou

“Eu sou diferente. Eu sei que tomo drogas, mas não sou um adicto. O que tenho são problemas emocionais/familiares/profissionais.”

Ou

“Eu estou apenas passando por uma fase difícil.”

Ou

“Eu serei capaz de parar quando encontrar a pessoa certa/o trabalho certo, etc.!”

Se você é um adicto, precisa primeiro admitir que tem problema com drogas antes de fazer qualquer progresso no sentido da recuperação. Estas perguntas, quando respondidas honestamente, podem lhe mostrar como o uso de drogas tem tornado sua vida incontrolável. A adicção é uma doença que, sem a recuperação, termina em prisão, instituições e morte. Muitos de nós vieram para Narcóticos Anônimos porque as drogas haviam deixado de fazer o efeito que precisavam. A adicção leva nosso orgulho, auto-estima, família, entes queridos e até mesmo nosso desejo de viver. Se você não chegou a esse ponto com sua adicção, não precisa chegar. Descobrimos que nosso inferno particular estava dentro de nós. Se você quer ajuda, pode encontrá-la na Irmandade de Narcóticos Anônimos.

“Estávamos buscando uma resposta quando estendemos a mão e encontramos Narcóticos Anônimos. Viemos à nossa primeira reunião de NA derrotados e não sabíamos o que esperar. Depois de assistirmos a uma ou várias reuniões, começamos a sentir que as pessoas se interessavam e queriam nos ajudar. Embora pensássemos que nunca seríamos capazes, as pessoas na Irmandade nos deram esperança, insistindo que poderíamos nos recuperar. Entre outros adictos em recuperação, compreendemos que não estávamos mais sozinhos. Recuperação é o que acontece em nossas reuniões. Nossas vidas estão em jogo. Descobrimos que, ao colocarmos a recuperação em primeiro lugar, o programa funciona. Enfrentamos três realidades perturbadoras:

1.

Somos impotentes perante a adicção e nossas vidas estão incontroláveis;
2.

Embora não sejamos responsáveis por nossa doença, somos responsáveis pela nossa recuperação;
3.

Não podemos mais culpar pessoas, lugares e coisas por nossa adicção. Devemos encarar nossos problemas e nossos sentimentos.

A principal arma da recuperação é o adicto em recuperação.”1

1 Narcóticos Anônimos (Texto Básico, página 16).

domingo, 25 de abril de 2010

A escalada: do ritual de passagem ao uso recreacional e a dependência drogas

Droga psicoativa ou substância psicotrópica é a substância química que age principalmente no sistema nervoso central, onde altera a função cerebral e temporariamente muda a percepção, o humor, o comportamento e a consciência. Essa alteração pode ser requerida para fim recreacional (alteração proposital da consciência), rituais ou espirituais (uso enteógeno ou enteogénico, Daime, DMT, etc.), científicos (funcionamento da mente) ou médico-farmacológico (como medicação).

A progressão do uso de substância é vista como um aumento no consumo ou aumento dos problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas.

Freqüentemente, imperceptível para o usuário, a substância psicoativa assume um papel cada vez mais importante, tendo como conseqüência o aumento de problemas decorrentes do uso da substancia.




Mesmo que a experimentação inocente possa ser inofensiva para muitos, para outros serve como uma introdução ao uso recreativo de drogas.

Embora tenhamos observado casos em que os indivíduos estabelecem uma relação problemática quase instantânea com álcool ou outras substâncias psicoativas, a progressão para um transtorno por uso de substância (SUD: Substance Use Disorder) geralmente acontece em três etapas.

Como veremos adiante, cada estágio é totalmente independente do seu estágio seguinte.

Mas não poderíamos prosseguir sem nos perguntarmos:

O que separa um estágio do próximo?
Por exemplo, o que separa o uso experimental do uso recreacional?
O uso de uma substância pela segunda vez significa que o usuário/experimentador passou de experimental para recreativo?
Se eu fumar maconha hoje e novamente fumar maconha amanhã, isso me "promoveria" de experimentador a usuário recreacional?
Será que faltar apenas um dia de trabalho, em conseqüência do uso de substancias, poderia ser considerado uma conseqüência do uso de drogas? Nesse caso, seria um indicador de abuso de substancias?
E se eu deixasse de comparecer ao trabalho várias vezes? Seria um indicador de abuso ou dependência?
Ou talvez... dirigir sob efeito de álcool e outras substâncias me colocaria na categoria "usuário recreacional" ou "usuário dependente"?
Como vimos, nas perguntas acima, o limite entre uso experimental, uso recreativo e uso abusivo é muito tenue e só pode ser percebido quando o usuário ultrapassa o estágio anterior.

A progressão do uso de substancias, ou escalada como alguns dizem, não é um processo inevitável e nem sempre é previsível, mas quando o usuário atinge a próxima fase, é como se fosse previsível.

O termo "Escalada" refere-se ao envolvimento progressivo com drogas, dividindo-se em:
Escalada qualitativa:
passagem de um consumo de drogas "leves" para o uso de drogas "pesadas".
Escalada quantitativa:
passagem de um consumo ocasional a um consumo intenso, contínuo ou crônico.


É mais comum o usuário entrar em uma escalada quantitativa - única droga de forma mais freqüente, também pode passar a misturar várias drogas, à procura de efeitos permanentes ou mais fortes, porem a grande maioria dos usuários não entra em escalada.



Inicialmente, o uso de substâncias psicoativas é por motivo médico ou experimental.

A progressão a transtorno por uso de substância:

Fase um:
O uso experimental, geralmente ocorre na pré-adolescência, época em que qualquer consumo de substância psicoativa pode sair do controle. Porem, nos Estados Unidos a epidemia de cocaína na década de 1980 desafiou esta regra e indivíduos na faixa etária de 21-35 anos representaram uma grande parcela de novos usuários durante toda década de 80, principalmente após surgir à cocaína em sua forma fumada (conhecida como crack). Ainda assim, nem todos os usuários progrediram de uso experimental ao uso recreacional.

Fase dois:
O uso recreacional de álcool e outras drogas, não conduz necessariamente a padrões problemáticos de utilização. Por exemplo, a maioria da população, faz uso da droga álcool e/ou nicotina, sem uma evidente progressão a outras drogas ou sem graves incidentes. Logo se entende que o uso recreativo da droga "álcool" ou "nicotina" não catapulta o usuário a dependência do mesmo (pelo menos não imediatamente)




Fase três:
O uso de substâncias é considerado um "transtorno" ou "uso de maneira problemática" quando o individuo se enquadra nos critérios para:

Abuso de substância
Dependência Química
Quando por determinação médica, e também como uma medida judicial de proteção, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, todo menor que represente uma ameaça para si mesmo e para terceiros deve ser imediatamente internado (art. 101, inc. V e VI, ECA).

A inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos é também medida aplicável aos pais (art. 129, inc. II e 136, inc. II, ECA). É um direito assegurado pela constituição!

Para mais informações, acesse o artigo: Internação compulsória para tratamento de alcoólatras e dependentes químicos de autoria do promotor Raul de Mello Franco Júnior.



Uma substância pode ser prescrita por um médico para o tratamento de uma doença física ou condição psicológica. O uso é então interrompido quando a condição aguda melhora. A substância prescrita pode ser tomada por longos períodos de tempo se a condição a ser tratada é de natureza crônica. Esse padrão de utilização pode, ou não pode ser problemático, dependendo da capacidade do paciente de interromper a medicação, uma vez que já não é medicamente justificada. Padrões de consumo problemático deste tipo são conhecidos como as dependências de baixa dosagem (baixa dependência).

Alguns médicos, ao prescreverem substâncias psicoativas, subestimam as qualidades das substâncias viciantes que estão sendo prescritas. Isso pode ser especialmente problemático quando o paciente tem uma predisposição genética a dependência. Apesar de confiar na formação e experiência do profissional médico, quando falamos de psicotrópicos ou substâncias psicoativas, nem sempre poderemos assumir que o médico sabe o que é melhor nestas circunstâncias.

Quando o início do uso da substância é experimental, a substância é usada inicialmente por curiosidade ou pelo seu efeito sobre o humor. A pessoa que experimenta a substância avalia os seus efeitos. Se a substância não é considerada agradável ou os efeitos não são benéficos, conforme a expectativa do experimentador, o uso/continuidade da substância é susceptível de ser interrompido. No entanto, se o efeito experimentado é considerado gratificante, o uso pode ser continuado, evoluindo de uso experimental ao uso recreacional.

A decisão de interromper ou continuar usando a substância é baseado em uma variedade de fatores psicológicos, sociais, fisiológicos e, talvez, os fatores espirituais, tais como crenças anteriores ou falta de compreensão sobre o perigo das drogas ou ainda, experiências passadas com uso de outras substâncias.

Os problemáticos seriam "os outros"?

O uso experimental não é considerado problemático.
Um estudo do governo americano sobre o uso de drogas por adolescente, realizada há muitos anos, mostrou que a grande maioria dos adolescentes terá pelo menos uma experiência com algum tipo de substância que altera o humor em algum momento durante a sua adolescência. Na verdade o uso experimental de substâncias que alteram o humor é uma espécie de rito de passagem para adolescentes.

Durante o Império, no Brasil, fumar passou a ser um rito de passagem: significava a passagem do adolescente para a idade adulta. Fumar na presença de adultos significava ser aceito como um deles; significa ainda, de certa forma.

A grande surpresa:

O estudo indicou ainda que a pequena minoria de adolescentes que não experimentaram substâncias psicoativas, como um todo, tiveram mais problemas psicológicos, em idade adulta, do que aqueles que haviam experimentado.

Esta é, obviamente, uma conclusão controversa que pode ter refletido um determinado período de tempo...

O que é um adicto e 12 Passos

A tarefa de definir adicção tem desafiado médicos, juízes, padres, adictos, suas famílias e as pessoas em geral, por toda a história. Existem tantas definições potenciais quanto existem grupos com interesses em definir adicção. A questão, inclusive, começa logo ao se nominar a doença: dependência química ou adicção, dependentes químicos ou adictos. Não importa, a verdade é que essas definições enfatizam coisas tais como dependência fisiológica, dependência psicológica, dinâmica familiar, problemas comportamentais e moralidade. Esta lista poderia ser bastante incrementada, e qualquer um poderia chegar com sua própria definição e acrescentá-la à lista. Ainda assim, definir adicção para mim é sem dúvida importante para o processo de recuperação. Afinal de contas, no Primeiro Passo admiti impotência perante ela. Esta admissão é a fundação sobre a qual minha recuperação é construída. Então a pergunta "O que é Adicção?" é, de fato, relevante.

Neste questionário, vou tentar responder a esta e a outras perguntas relativasà adicção.

Existem pelo menos três tipos de usuários de drogas:
O usuário leve
. O usuário leve é alguém que usa drogas apenas por brincadeira, influência de " amigos", protesto contra alguma situação familiar etc. Ele não se deixa levar pelo ambiente da droga. Trabalha e/ou estuda normalmente, cria raízes, implanta família. Quando chega o momento de assumir suas responsabilidades diante do contexto social, simplesmente abandona as drogas.

O dependente psicológico
. O dependente psicológico tem efetivamente alguma dependência. Mas consegue abandonar o uso com relativa facilidade depois de uma terapia médica e uma desintoxicação. Muitos fazem esse desligamento através da entrega de sua vida ao Senhor.

O dependente químico (adicto)
. Quanto ao dependente químico, ou adicto (denominação preferida pela instituição Narcóticos Anônimos), a situação se complica. É portador de uma doença chamada dependência química, progressiva, incurável e fatal, conhecida também como adicção: tem obsessão para usar a primeira dose e, quando o faz, passa a sofrer de compulsão (não consegue mais parar). Deixa a droga influir em sua vida, coleciona fracassos, tem depressão, tenta o suicídio, envolve-se em crimes e falcatruas. É com ele que nos preocupamos. Mas antes de chegar ao ponto principal, achamos conveniente fazer alguns esclarecimentos:

1. Quais são as instituições envolvidas com a programação dos 12 Passos?
a. a primeira e mais antiga é a dos Alcoólicos Anônimos (AA). Destinado especificamente ao dependente químico, ou adicto, que teve envolvimento com a droga lícita - álcool.

b. a segunda é o Al-Anon . Existe para cuidar dos familiares do dependente químico de álcool.

c. uma terceira chama-se Narcóticos Anônimos (NA), com o objetivo de ajudar os dependentes químicos ou adictos que usem abusivamente qualquer tipo de droga.

d. a quarta chama-se Nar-Anon e destina-se aos familiares (ou co-dependentes, num linguajar mais técnico) de quem usa abusivamente qualquer tipo de droga.

2. Qual a diferença entre AA e NA?
O AA reconhece a existência apenas de uma doença presumivelmente chamada de alcoolismo. Para a irmandade, tratar do alcoolismo é o bastante. Já o NA reconhece a existência de uma doença chamada DEPENDÊNCIA QUÍMICA, que, entre outros sintomas, apresenta o do USO ABUSIVO DE DROGAS - aí incluída a droga lícita (álcool) e as ilícitas (maconha, cocaína, etc). Importante frisar que NA considera droga até o tranquilizante - desde que sob uso abusivo e sem motivação médica comprovada. Para o NA, a dependência química tem outros sintomas - o mais comprovado é o desvio de caráter.

3. o que é a dependência química (adicção)?
É uma doença com raízes mental (obsessão) e física (compulsão). Atua em todas as áreas (física, mental e espiritual) do indivíduo. A dependência química/adicção é progressiva, incurável e de determinação fatal. Progride mesmo quando o dependente químico/adicto não está "na ativa"- ou seja, quando não está usando drogas. O dependente químico/adicto em recuperação consegue apenas estacionar a doença, nunca curá-la. E a doença mata degradando - acidentes de carro, suicídios, assassinatos. Quem não morre tem como outros destinos a prisões ou o hospício.

4. A dependência química/adicção é adquirida ou hereditária?
Nenhum estudo conseguiu comprovar a origem da doença. Há pouco tempo, um pregador brasileiro declarou sua satisfação de ter recebido uma educação evangélica - que, segundo ele, evitou seu envolvimento com drogas. É um grave equívoco, nos centros de recuperação existem dezenas de filhos e filhas de pastores que, apesar da educação severa, envolveram-se com drogas por causa da doença. Assim como existem milhares de lares desajustados onde, apesar de todo o sofrimento, não existem dependentes químicos/adictos.

5. como explicar o modus operandi de um dependente químico/adicto?
Há uma mulher muito bonita numa praia. Sozinha. O homem normal olha para a mulher, sente desejo por ela, pensa em assediá-la. Mas raciocina, lembra que ela pode ter namorado, noivo, marido. Acha melhor ir embora pra não se envolver em confusão (Reflexão e ação).
O dependente químico/adicto olha pra mulher, sente a obsessão e parte para o assédio, impulsivamente. Só depois é que vai pensar na conseqüência de seus atos (Ação sem reflexão).

6. o que são os 12 Passos?
As quatro irmandades paralelas aplicam uma terapia chamada de Programação dos 12 Passos. O dependente/adicto pratica cada um dos passos, um por um ou paralelamente, conseguindo ficar limpo (sem usar drogas) um dia de cada vez. Na Programação de 12 Passos, o dependente químico/adicto assume consigo mesmo o compromisso de ficar sem drogas apenas 24 horas de cada vez. Não existe passado ou futuro. Só o hoje. Um dos slogans mais conhecidos é "só por hoje nunca mais".

7. Todos são obrigados a praticar esses 12 passos?
Na programação ninguém é obrigado a nada. Tudo é apenas sugerido. Ninguém tem que dar satisfações a ninguém. Só a si mesmo. Se alguém entrar na programação para agradar ao pai, mãe, mulher, marido, a quem quer que seja, muito provavelmente recairá. Só consegue ficar limpo quem tem compromisso com si mesmo. Só por hoje.

8. Quem dirige AA e NA?
Ninguém. São as únicas organizações com estrutura administrativa baseada no anarquismo político que realmente deram certo. Não há chefes, nem diretores, nem gerentes. Quem manda é a consciência coletiva - um colegiado com todos os membros - e, acima dela, Deus. Para ser membro de AA ou Na basta querer parar de usar. Não precisa dar nome, endereço, nada. Não existem fichas ou cadastros. Ninguém fala em nome das irmandades. Qualquer posição é pessoal.

9. Qual a religião de AA e NA?
Não existe. As irmandades são espirituais, mas não religiosas. Os 12 passos falam de um Deus, mas "da forma como o adicto o compreende". Para evitar debates teológicos ou até mesmo fundamentalistas, as irmandades chamam Deus de "Poder Superior". Mas o segundo, o terceiro e o quarto passos recomendam uma aproximação maior com Deus. A programação deixa claro que sem Deus não existe recuperação.

10. Todo mundo que usa droga é dependente químico?
Não. Embora a programação limite-se a cuidar de quem é dependente químico/adicto, a experiência mostra que existem três formas de convívio com a droga:

- nenhum convívio. A pessoa nunca experimenta a droga ou, depois de experimentar, prefere outros caminhos.

- convívio por vício. O indivíduo tem uma dependência física ou emocional, que consegue deixar depois de um tratamento terapêutico ou mesmo porque resolveu mudar de vida.

- convívio por dependência química/adicção. O dependente/adicto não consegue deixar a droga, precisa de uma terapia específica - normalmente, só a programação de 12 Passos consegue estacionar a doença dele.

11. Como saber se alguém é dependente químico?
Embora existam sinais claros, AA e NA preferem que o próprio dependente reconheça esse fato. Admitir que tem a doença é o Primeiro Passo de um adicto. Eu não posso dizer que alguém é adicto. Só posso dizer que eu sou...

12. Como levar alguém para NA ou AA?
Preferencialmente, de forma alguma. O próprio dependente químico/adicto deve reconhecer sua necessidade de procurar uma irmandade. Só se dá ajuda a quem pede ajuda. Se eu não quiser ajuda, ninguém poderá fazer nada.

13. Al-Anon e Nar-Anon ajudam a cuidar de um adicto?
A doença é contagiante. Um familiar acaba adquirindo hábitos e comportamento de um dependente químico/adicto. As duas irmandades ensinam o familiar a cuidar de si próprio para não sofrer tanto com o adicto. Agora, claro que, frequentando uma irmandade, o familiar acaba descobrindo a existência da doença, como se manifesta e, assim, acaba também por agir de forma diferente junto ao dependente. E no final influi na decisão de o dependente procurar ajuda também.

O dependente químico em recuperação

O dependente químico em recuperação é a pessoa que tem uma doença incurável, por isso o dependente está em recuperação pela vida toda, é como se fosse um diabético, não tem cura.

Na doença da dependência química não existe culpado, somente responsável, a culpa termina nela própria, e a responsabilidade começa nela própria. Não sou culpado pela doença , mas sou responsável pelo tratamento e o estar em recuperação.

O primeiro passo para estar em recuperação é parar de usar, não podemos esperar que algo funcione para nós se as nossas mentes e corpos ainda estiverem intoxicados pelo álcool e outras drogas.

O tratamento que só visa a libertação física, o deixar usar as drogas, corre o risco de que nas adversidades, recorrer à 'mesma solução' que é usar drogas, pois não ocorreram as mudanças interiores, ou seja o dependente disponha a buscar ajuda no seu interior, para descobrir um novo caminho que igual a um projeto de vida para resgatar-se como ser-ao-mundo. Em um projeto de vida é fundamental que seja em direção ao outro, ou seja que o outro esteja presente. Tratamento é pensar na vida a fim de resgatar de forma autêntica a experiência do EU e do NÓS. No fundo tratar é o dependente recomeçar a gostar de si mesmo, é valorizar a vida. Mudando a si, ao mesmo tempo muda seu posicionamento no social.

O psicólogo Carl Rogers demonstra que em todo organismo, em qualquer nível, existe um movimento em direção ao crescimento. Esse processo é denominado de tendência de realização. Esta tendência de realização pode ser impedida, mas não destruída, a não ser que se destrua o organismo. Por isso afirmamos categoricamente que a drogadição não é uma condição sem esperança, e que existe o tratamento e o estar em recuperação.

O dependente químico em recuperação, quando para de usar apresenta a síndrome de abstinência . Sendo aguda e aparece em horas ou dias, sendo demorada e aparece após meses ou anos.

Síndrome de abstinência psicológica ocorre na mudança da emoção, os sinais e sintomas são:

emocionais- ansiedade [o DQ é o dobro ansioso que a média da população], alteração do humor [mudança brusca de comportamento], agressividade, angústia, irritabilidade, tensão, desorientação no tempo e no espaço, convulsões, paranóia [medo, perseguição, pânico], depressão primária [o DQ gera problemas iguais ao depressivo]. memória - confusão mental, concentração, raciocínio, lapsos de memória, crise de identidade.

sono-sono alterado [insônia ou sono pesado], sonhos aumentados [onde as angústias são resolvidas, a fabricação de coisas boas e a esperança de acontecer], pesadelo [ geralmente com a drogadição ].

Síndrome de abstinência física ocorre as mudanças físicas, os sinais e sintomas são -
alucinações e delírios, dor de cabeça, cãibras, sudorese, dores musculares, tremores, fadiga, oscilação pressão arterial, taquicardia, febre, náuseas, vómitos, diarréia ou intestino preso, falta de apetite.

O dependente após período de tratamento e ao estar em recuperação, começar a construir a sua auto estima através dos seguintes itens -

a minha recuperação não é para as pessoas e sim para eu ter equilíbrio na minha vida - sincero e honesto - não utilizar a manipulação - vá com calma, mas vá - estabelecer e cumprir as metas - ser assertivo - quando do ressentimento se perdoar - evitar amigos da ativa, hábitos, lugares, idéias e diversões - trabalhar o bom humor - evitar o isolamento - ame-se, seja seu melhor amigo - escolher a felicidade - identificar as suas forças - ter um sistema de valores racionais - referir-se a si mesmo com nomes positivos - colocar limite para as críticas destrutivas - melhorar-se, tentar coisas novas - decidir qual o meu valor - respeitar seu corpo com alimentos nutritivos e exercícios - meditar, orar, relaxar, tirar tempo para si mesmo.

O dependente em recuperação, na condição de pessoa tem inúmeros direitos pessoais, destaco o seguinte - dependendo da maneira que trato as pessoas, tenho o direto de exigir coisas dessas pessoas como por exemplo - RESPEITO

A recuperação começa com aplicação dos princípios espirituais contidos nos DOZE PASSOS dos grupos de mútua ajuda [ AA - ALCÓOLICOS ANÔNIMOS , NA - NARCÓTICOS ANÔNIMOS ], em todas as áreas da vida.

Ir as reuniões de recuperação dos grupos de mútua ajuda, aprendemos o valor de conversar com outros dependentes que compartilham dos nossos problemas, esperanças, metas, e reconhecemos que um dependente pode compreender e ajudar melhor outro dependente.

Na recuperação o dependente além de freqüentar as reuniões dos grupos de mútua ajuda, deve fazer terapia com psicólogos, porque a psicoterapia visa ajudá-lo a se conhecer melhor, e ajudar no combate ao hábito obsesivo e compulsivo da doença.

Em recuperação serão apresentados princípios espirituais, como a rendição que é a aceitação da nossa doença e começamos a acreditar, a um nível mais profundo,que também nós podemos nos recuperar e ficamos abertos à mudança , verdadeiramente ocorre a rendição. A rendição significa que não temos mais que lutar. Estamos dispostos a fazer o que for necessário para ficarmos limpos e abstinentes, a tentar um novo modo de vida e até a fazer do que não gostamos.

Quando a vida do dependente parece estar a cair aos pedaços, ele concentra-se nas bases do programa dos DOZE PASSOS, e em ver que a rendição é que a vitória, está em admitirmos a derrota perante a drogadição. O vazio deixado pela drogadição é preenchido através da prática e da vivência dos DOZE PASSOS.

Quando o dependente admite a sua impotência perante as drogas e que tinha perdido o domínio da sua vida, o dependente abre a porta para que um Deus maior que nós nos ajude. Não é onde estávamos que conta, mas para onde estamos indo que importa. Colocamos a vida espiritual em primeiro lugar e aprendemos a usar esses princípios espirituas como a paciência, tolerância, humildade, mente aberta, honestidade e boa vontade nas nossas vidas diárias. São atitudes novas que nos ajudam a admitir os nossos erros e pedir ajuda.

Em recuperação os fracassos são apenas contrariedades temporárias, as crises são, assim, oportunidades para fazer crescer a bagagem de vida, de se ficar mais sábio e para aumentar o crescimento espiritual. Aprendemos que os conflitos são parte da realidade, e aprendemos novas maneiras de resolvê-los, em vez de fugir deles. Aprendemos que, se uma solução não for prática, ela não é espiritual.No passado, transformávamos as situações em problemas; fazíamos uma tempestade de um copo d'água. Foram as nossas grandes idéias que nos trouxeram aqui. Em recuperação, aprendemos a depender de um Deus maior do que nós. Não temos todas as respostas ou soluções, mas podemos aprender a viver sem drogas e um novo modo de vida. Podemos nos manter limpos e apre ciar a vida como ela é, se nos lembramos de viver SÓ POR HOJE.

Não somos responsáveis pela nossa doença, apenas pela nossa recuperação. À medida que começamos a aplicar o que aprendemos,nossas vidas começam a mudar para melhor.Descobrimos que nos tornamos capazes de receber assim como de dar. Passamos a conhecer a felicidade, alegria e liberdade. Não existe um modelo de dependente químico em recuperação. Mas sonhos perdidos despertam e surgem novas possibilidades.

A recuperação torna-se um processo de aproximação, perdemos o medo de tocar e de sermos tocados. Apren- demos que um simples abraço amigo pode fazer toda a diferença do mundo, quando nos sentimos sozinhos. Experimentamos o verdadeiro amor e a verdadeira amizade.

Como dependente em recuperação, temos dificuldades com a aceitação, que é essencial à nossa recuperação. Quando nos recusamos a praticar a aceitação, ainda estamos, de fato, negando a nossa fé num Deus maior que nós. Essa preocupação demonstra que é falta de fé. A rendição da nossa vontade por drogas põe-nos em contato com Deus, que preenche o vazio dentro de nós, que nada podia preencher. Aprendemos a confiar na ajuda de Deus diariamente. Viver SÓ POR HOJE alivia a carga do passado e o medo do futuro. Aprendemos a tomar as atitudes necessárias, e a deixar os resultados nas mãos de um Deus maior do que nós.

Gradualmente, à medida que nos centramos mais em Deus, do que em nós mesmos, o nosso desespero se transforma em esperança. A mudança também envolve essa grande fonte de medo, o desconhecido. O nosso Deus é a fonte de coragem que precisamos para encarar este medo. Tudo o que conhecemos está sujeito a revisão, especialmente o que sabemos sobre a verdade. Reavaliamos as nossas velhas idéias, a fim conhecermos as novas idéias que levam a uma nova maneira de viver. Reconhecemos que somos humanos com uma doença física, mental e espiritual. Quando aceitamos que a nossa drogadição causou o nosso próprio inferno e que existe um Deus disponível para nos ajudar, começamos a fazer progressos na solução dos nossos problemas.

Na oração da serenidade, vemos que temos algumas coisas temos que aceitar, outras podemos modificar, e a sabedoria para perceber a diferença entre aceitar e modificar, vem com o crescimento espiritual. Se mantivermos diariamente a nossa condição espiritual, será mais fácil lidarmos com a dor e a confusão. Esta é a estabilidade emocional de que tanto precisamos.

Qualquer dependente limpo é um milagre.Mantemos o milagre vivo em contínua recuperação através de atitudes positivas. Se, após algum tempo, sentirmos dificuldades com a nossa recuperação, é porque, provavelmente, paramos de fazer alguma das coisas que nos ajudaram nas fases iniciais da recuperação.

Os três princípios básicos são honestidade, mente aberta e boa vontade.A honestidade inicial que expressamos é o desejo de parar de usar drogas, em seguida, admitimos honestamente a nossa impotência e o fato de nossas vidas estarem incontroláveis. Uma idéia nova não pode ser colocada numa mente fechada, pois isso temos que ter a mente aberta permitindo-nos a ouvir algo que possa salvar nossas vidas.Permite-nos ouvir pontos de vistadiferentes e tirar nossas próprias conclusões. Nos conduz ao próprio discernimento, o qual nos escapou a vida toda. Aprendemos que é normal não termos todas as respostas, pois assim, podemos ser ensinados e aprender a viver a nossa nova vida com sucesso. Porém, a mente aberta sem boa vontade não nos levará a lugar nenhum.

Temos que estar dispostos a fazer o que for necessário para nos recuperarmos. Nunca se sabe quando chegará o momento em que precisaremos usar todo o esforço e energia que temos, só para nos mantermos limpos. Honestidade, mente aberta e boa vontade trabalham lado a lado, a falta de um destes princípios espirituais no nosso programa pessoal pode levar à recaída e, certamente,tornará a recuperação difícil e dolorosa, quando poderia ser simples.

Existem outras pessoas que nos ajudam a desenvolver uma atitude de amor e de confiança nas nossas vidas, exigimos menos e damos mais. Demoramos para ficarmos com raiva e perdoamos com mais rapidez. Onde tem havido o erro, o programa nos ensina o espírito do perdão. Se nos encontrarmos numa situação difícil ou sentirmos a chegada de problemas, aprendemos a procurar ajuda antes de tomarmos decisões difíceis. Sendo humildes e pedindo ajuda, podemos atravessar os momentos mais duros. Eu não posso, nós podemos !!!

Começamos a nos conhecer pela primeira vez.Experimentamos sensações novas - amar, ser amado, saber que as pessoas se importam conosco, e sentir interesse e compaixão pelos outros. Damos por nós fazendo coisas que nunca pensamos em fazer, e gostando de fazê-las. Cometemos erros, e aceitamos e aprendemos com eles.Experimentamos o fracasso e aprendemos a ter sucesso. Muitas vezes, temos que encarar algum tipo de crise na nossa recuperação, como a morte de um ente querido, dificuldades financeiras, ou um divórcio. São realidades da vida que não se vão só porque estamos limpos. Alguns de nós, mesmo depois de anos em recuperação, ficam sem emprego, sem casa ou sem dinheiro. Alimentamos o pensamento de que não estava valendo a pena ficarmos limpos e os velhos pensamentos incitam a autopiedade, o ressentimento e a raiva. Não importa o quão dolorosa as tragédias da vida possam ser para nós, uma coisa é certa - não temos que usar drogas, aconteça o que acontecer !!!

Aprendemos a valorizar o respeito dos outros. Ficamos felizes quando as pessoas possam contar conosco. Pela primeira vez nas nossas vidas, podemos ser solicitados para cargos de responsabilidades em organizações na sociedade. Nossas opiniões são procuradas e respeitadas pelas outras pessoas . Conseguimos apreciar nossas famílias de uma nova maneira, e ser de valor para eles, e não um fardo ou um embaraço, hoje a família podem se orgulhar de nós. Nossos interesses individuais podem se ampliar e incluir questões sociais ou políticas. Passatempos e diversões dão-nos um novo prazer. É uma sensação boa sabermos que, além de sermos úteis ao outros como dependente em recuperação, também temos valor como seres humanos.

Ajudar os outros é talvez a mais elevada aspiração da alma humana, e levar a mensagem de que existe recuperação para o dependente químico na ativa, pode ser conseguida quando o dependente em recuperação, mostrar através do seu exemplo de uma vida vivida de acordo com os princípios espirituais, é realmente a mensagem mais poderosa que podemos transmitir. Voltamos a lembrar, que um dependente pode compreender e ajudar melhor um outro dependente.

Em recuperação, nos esforçamos por sentir gratidão,pela contínua consciência de Deus. Sempre que nos encontamos com uma dificuldade que achamos que não conseguimos resolver, pedimos a Deus que faça por nós o que não podemos fazer. O crescimento espiritual é um processo contínuo. Experimentamos uma visão mais ampla da realidade, à medida que crescemos espiritualmente. É possível que o dependente em recuperação esteja extremamente doente mentalmente e ainda assim possua uma `vontade de crescer' muito forte, neste caso, a cura realizar-se-á , através da espiritualidade. Espiritualidade é a qualidade do relacionamento com que ou com o que é mais importante na minha vida. Eu sou o mais importante, sou eu que persigo essa qualidade de vida, que é formado pelos relacionamentos que tenho com os pontos da minha vida, que são os seguintes -

profissional ................................. ter disciplina

físico e financeiro ...................... ter aceitação

social e lazer ................................ ter auto respeito

familiar ......................................... ter unidade

emocional e espiritual ............... ter honestidade, que é acreditar em DEUS, em AA e NA, no EU, no OUTRO.

Quando nos amamos, somos capazes de amar verdadeiramente os outros. O amor é a vontade de se esforçar para crescer espiritualmente. As pessoas genuinamente amorosas são, por definição, pessoas que crescem. Pois a jornada rumo ao crescimento espiritual exige coragem, iniciativa e independência de pensamentos e ações. Descobrimos que a maneira de continuarmos a ser pessoas produtivas e responsáveis da sociedade é colocarmos a nossa recuperação em primeiro lugar. Só o fato em parar de usar drogas e ter uma postura de bem viver, já estamos contribuindo e sendo produtivos para a sociedade.

Na frase de Cristo - "Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos", poderia ser traduzida como, "Todos nós somos chamados para estar em recuperação e para ela, mas poucos escolhem escutar o chamado".



REFERÊNCIAS:

-Texto basico de narcoticos anonimos
-a trilha menos percorrida - Scott Peck

O Primeiro passo !

Primeiro passo

O primeiro passo de Alcoólicos Anônimos (A.A.) e Narcóticos Anônimos (N.A.), de Naranon e Alanon, diz:

"Admitimos que éramos impotentes perante o álcool/ adicção/ pessoas, que tínhamos perdido o domínio sobre nossas vidas."

O adicto é impotente diante das suas emoções, diante da sua droga.
O alcoólatra é impotente diante do álcool
O familiar é impotente diante do seu adicto..., e, além disso, eu (alcoólatra, adicto ou familiar) tenho que perceber que sou impotente não somente diante das coisas, mas também diante da minha família, diante o trânsito, diante dos preços, diante da outra pessoa que trabalha comigo...

Então nesse primeiro passo nós temos que de alguma forma eliminar os mecanismos de defesa.
E que mecanismos são estes? São mecanismos que protegem o nosso eu, porque enquanto o familiar não fizer o primeiro passo, enquanto o adicto, alcoólico não fizer o primeiro passo, o que vai acontecer? Ele vai sempre se perguntar: Onde foi que eu errei para que isso começasse comigo? Onde foi que eu errei para que eu tivesse um familiar usuário de álcool e outras drogas? Onde foi que eu errei? E na realidade não houve erro nenhum.

Hoje existe um capítulo do CID (código internacional doença) que fala somente sobre transtornos mentais provocados por álcool e drogas. Aqui se qualquer médico do Brasil encaminhar um paciente usuário e cocaína para tratar-se no Japão e o médico japonês não conhecer nada da língua portuguesa este medico vai olhar o número da doença classificada no CID e vai tratar como usuário de drogas/cocaína.

Não é uma sem-vergonhice, a sem-vergonhice não trás síndrome de abstinência, eu nunca vi ninguém por sem-vergonhice entrar em delirium tremes, eu nunca vi por sem-vergonhice alguém entrar num quadro compulsivo, então é uma doença física, uma doença mental de fundo emocional, e é uma doença de relacionamento, que dentro dos grupos nós chamamos de doença espiritual.

O que é espiritualidade para mim dentro dos grupos? Há uma definição para espiritualidade, que eu encontrei do Prof. Caldas Auletti, no dicionário de definições de 1956: Espiritualidade é a qualidade do relacionamento com quem ou com o que é mais importante na minha vida. Então a todo momento eu tenho que estar me perguntando : O que é mais importante para mim na minha vida? Agora o que é mais importante para mim na minha vida? Estar passando algum conhecimento para vocês. Se estiver no trânsito, o que é mais importante para mim na minha vida? Pensar no trânsito. Então espiritualidade é isso: É a qualidade do relacionamento com quem ou com o que é mais importante na minha vida. E esse é o problema que N.A. / A.A. traz, que ALANON / NARANON traz.

Com esse primeiro passo, com essa rendição eu começo a ter um contato maior comigo. Eu elimino a negação, eu elimino a minimização: Ele quando está usando... Não mais usa / uso só no final de semana. Mais o final de semana para ele começa na segunda-feira, não é? Ele usa a semana inteira. Então o familiar chega e diz: mais ele é um amor sem álcool e droga, ele é um amor de pessoa, mas... Quando é que se encontra ele sem álcool e drogas? Difícil não é?

Esse processo de negação, esse processo de minimização, esse processo de projeção (atribuir a outros uma coisa ou responsabilidade que é sua) dá suporte para que os familiares digam: ele se droga por causa das companhias. Eu estou em recuperação há 16 anos e acreditem-me nunca conheci alguém que para começar a usar drogas precisou ser amarrado, ninguém mesmo; ele começou a usar drogas por curiosidade, para fazer parte de um grupo, para desafiar pai e mãe ou a autoridade de alguém, enfim por outras razões, menos essa de ser amarrado.

Outra coisa, o protecionismo familiar. A família não consegue deixar seu ente querido "quebrar a cara", quebrar a cara que eu digo é no bom sentido, deixa ele aprender um pouco com a vida, se não aprender pelo amor vai aprender pela dor; nós temos que praticar um desligamento emocional, um desligamento com amor, um desligamento dos problemas da pessoa e não o desligamento da pessoa.

Isso acontece também com o adicto, com o alcoólatra, que muitas vezes tem que se desligar da chatice que continua sendo o familiar que está fora de uma programação, que não aceita uma ajuda e que responde da seguinte forma: Não... Quem bebe é ele... Quem se droga é ele, o problema é dele!

Guia de Clínicas de Recuperação !!!

Segue abaixo o link para um site interessante que encontrei :

http://www.clinicasderecuperacao.com.br/

Se você precisa de ajuda, não espere, peça !!!!

Não temas - Extraído do Blog Adictoemrecuperação.bloguista.net

Não Temas

Todos os povos constituem uma só comunidade. Têm uma origem comum, uma vez que a Divina Majestade fez o gênero humano habitar a face da Terra. Têm igualmente um único fim comum. Por meio de religiões diversas, procuram os homens uma resposta aos profundos enigmas para a condição humana: o que é o homem, qual o sentido e o fim da nossa vida, o que é bem e o que é pecado, qual a origem dos sofrimentos e qual a sua finalidade, o que é a morte, qual o caminho para a felicidade e, finalmente, o que é aquele supremo e inefável mistério que envolve nossa existência, onde temos a nossa origem e para o qual caminhamos.

Todo ser humano tem percepção da força misteriosa que preside a vida, chegando, às vezes, ao conhecimento da Divina Majestade. Esta percepção desenvolve no homem um profundo sentimento religioso, único em cada ser humano.
Ao contemplarmos cada individualidade humana, com Verdade, Justiça e Misericórdia, constatamos que: "O que nos une é maior do que o que nos divide" (Lumen Gentium).

Estou convicto de que a mais poderosa "arma" do Reino do Mal é o semear da desunião no Reino do Bem, criando quirelas que consomem as forças que, inicialmente, se destinam ao crescimento do Bem. "Porque brigar pelas diferenças em vez de valorizar o esforço de encontrar Deus" - João Paulo II.

Hoje é claro para mim que todas as vezes que um ser humano se compromete, ativamente, independentemente do credo que professa, assistimos a manifestação da ESPIRITUALIDADE, já que todo bem tem origem no Ser Criador, a Divina Majestade.

Espiritualidade é aquilo que dá sentido à vida. São os valores de vida. É viver os ideais de vida.

O Amor-Exigente, por orientação do Padre Haroldo, tem o caráter pluralista, desenvolvendo, entre seus membros, profundo respeito às diversas manifestações religiosas e, sobretudo, estimulando que os mesmos sejam profundamente engajados em sua opção religiosa.

É natural que as lideranças locais contribuam com suas vivências religiosas, já que não é esperado e muito menos desejado que os mesmos percam sua identidade. E isto é bom, desde que seja feito com ABSOLUTO respeito às escolhas religiosas de todos os participantes.

Melhor do que falar em Deus é falar com Deus.

Este falar tanto pode ser de maneira espontânea, manifestando o que vive no coração, como através da recitação.

As orações espontâneas se mostram bem apropriadas ao contexto dos nossos grupos de apoio, podendo ser acompanhadas das recitadas que, universalmente, são reconhecidas e aceitas pelos credos, como "Pai Nosso" e a "Oração da Serenidade".

Cabe ao coordenador se inteirar das confissões dos membros de seu grupo, visando ao absoluto respeito, para refletir como deverá ser o momento de espiritualidade.
Uma coisa é certa: o momento de espiritualidade não se torna melhor pelo fato de ser longo, demorado. Um breve momento é suficiente para as pessoas se deixarem permear pelo sopro da Divina Majestade.
Estas são linhas mestras. A espiritualidade é tão própria da pessoa e/ou da comunidade que qualquer coisa mais que linhas mestras a destruiria.

Neube José Brigagão (Federação Brasileira de Amor-Exigente)
M M Assessoria & Comunicação S/C Ltda

A perda de 1 Companheiro de Recuperação !!!

Final de semana passada perdemos uma companheira de recuperação. Fiquei sabendo um pouco atrasado mas mesmo assim fiquei um tanto triste e chocado pois sempre pensamos que quando alguém está em recuperação e limpo a alguns anos, não corre esse risco mas não foi o caso de N.. A alguns anos sem usar nenhuma droga, N. estava sofrendo de uma doença muito comum nos dias de hoje, a DEPRESSÃO e Síndrome Bipolar. Mas estar limpa não foi o suficiente, participar regularmente das reuniões de mutua ajuda também não.

O que então faltava na vida de N. para que sua felicidade fosse plena ???

Infelizmente agora ninguém nunca vai saber.

N. descanse em paz !!!!!

domingo, 11 de abril de 2010

O começo de tudo !!

Pois é...

Depois de muito pensar, comecei a acreditar que nos dias de hoje, a internet pode ajudar, e muito, na recuperação de pessoas que querem parar de usar drogas, alcool e outras substâncias que alteram o humor e acabam prejudicando de várias formas o desenvolvimento normal das vidas das pessoas.

Hoje vemos em muitas cidades do Brasil e do mundo, grupos onde as pessoas se reúnem buscando a troca de experiências pessoais e maneiras de resistir ao uso dessas susbtâncias. Muitas vezes não existem salas na cidade onde a pessoa mora, ou está chovendo, ou a pessoa está até com medo de sair de casa.

Esse BLOG busca suprir essa necessidade de haver um local onde, a qualquer hora, lugar e situação, os adictos em recuperação possam buscar ajuda ou ajudar outros adictos.

Não é nossa pretensão substituir as salas ne NA, AA ou outras qualquer. Nossa intenção é somar, ajudar e quem sabe salvar vidas. Contamos com a participação de todos para que isto aconteça.